domingo, 16 de agosto de 2009

Crise: Tragédia ou Oportunidade?

Crise: tragédia ou oportunidade?

Pr. Sergio Dario, Th.M

A palavra “crise” sugere uma situação calamitosa, trágica, ruim, triste, desesperadora, cruel e funérea. A crise é resultado de uma ruptura do equilíbrio e harmonia, um estado de dúvidas e incertezas, fase de tensão, e que envolve perdas. Ninguém deseja passar por uma crise. A crise não é almejada, cobiçada e muito menos, esperada, mesmo quando tudo aponta para sua chegada, pois é um momento perigoso, crítico e ameaçador. Uma das preocupações fundamentais da vida humana é afastar tudo aquilo que é perigoso, crítico e ameaçador. Por isso, a crise é normalmente vista como algo totalmente ruim e prejudicial. É verdade que se deve evitar a crise, mas às vezes ela é inevitável. É verdade que a crise não deve ser almejada, mas quando ela vier deve ser enfrentada. É verdade que crise é ruim e amarga, mas pode ser boa e agradável. Crise é tragédia, mas também pode ser uma oportunidade. Nota-se então, um aparente paradoxo. A crise é uma oportunidade para rever nossos conceitos. Nos momentos críticos da vida, faz-se necessário repensar sobre a filosofia de vida, para detectar se alguma coisa precisa ser mudada ou reformulada. Muitas crises são oriundas de conceitos ultrapassados. Isto não significa que se deve abrir mão dos valores considerados essenciais e inegociáveis da vida humana, mas rever certos conceitos que foram dogmatizados mas que não são essenciais e sim formais e secundários. A crise força-nos a rever os “falsos dogmas”. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade para ver que algo não está bem. A febre é uma alerta para o paciente de que algo não está bem no seu organismo, semelhantemente, a crise indica que algo está errado conosco e que precisamos identificá-lo para buscar uma solução. A crise chega de surpresa por que a gente nunca a espera, logo, dificilmente alguém se prepara para uma crise. Contudo, antes da explosão definitiva da crise, normalmente alguns sintomas são evidenciados mas, comumente ignorados. E quando se ignora estes sintomas a crise surge deixando-nos incapazes de ignorá-la, pois se torna extremamente evidente. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade para refletir sobre as nossas decisões. Na vida humana, as decisões são aspectos indispensáveis e reais. Viver é decidir, e isto se torna tão comum que muitas decisões são tomadas sem avaliação e reflexão prévias. A crise surge como oportunidade para avaliarmos as nossas decisões e escolhas, lembrando-nos de que cada decisão, por menor que seja, pode trazer benefícios ou prejuízos pessoais e comunitários. No momento de crise faz-se necessário perguntar: tomei alguma decisão errada? Os prejuízos podem ser reparados? O que me levou a tomar tal decisão? Havia alternativa? Logo, a crise é uma oportunidade. 2
A crise é uma oportunidade para testar a capacidade de tomar decisões difíceis em momentos turbulentos. Em tempos de crise, decisões precisam ser tomadas e geralmente não são fáceis. Crise envolve tensão e pressão. O melhor é não decidir sozinho, mas ouvir as pessoas que estão próximas de nós, e só então, tomar uma decisão. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade para olhar o mundo numa nova perspectiva. A crise pode trazer desânimo e perda da vontade de prosseguir, mas também pode dá-los a oportunidade para vermos a realidade numa perspectiva diferente daquela que estamos acostumados. Ela nos incita a buscar novas alternativas caso queiramos avançar. A crise nos desafia a ser criativos, buscando novas rotas para driblar os problemas, por isso, quanto mais vencemos as crises mais criativos nos tornamos. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade para reconhecer a nossa humanidade e fragilidade. Diante das conquistas e triunfos, os seres humanos são tentados a esquecer que são frágeis mortais, sujeitos à queda e ao fracasso a qualquer momento. Somos limitados, somos pó e esquecer disto é um dos graves erros que não se pode cometer. Quando esquecemos desta verdade, a crise força-nos a reconhecer a nossa estrutura fragilizada. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade para aprender o valor dos verdadeiros relacionamentos. Se existe um momento crucial em que se precisa de um ombro amigo é na crise. O ser humano é um ser relacional, contudo, nem sempre os vínculos são valorizados como deveriam, principalmente nas situações pacificadoras. Quando chega a crise percebemos o valor das amizades autênticas e o quanto dependemos uns dos outros. Quando ignoramos os vínculos, a crise nos faz reconhecer o valor inestimável dos relacionamentos. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade de mudança. Mudar é doloroso e traz insegurança, mas às vezes é necessário. Temos a tendência de nos acomodar e conformar com a situação, e isto não é nada bom. Inovar é necessário e pode até mesmo nos motivar. O comodismo traz conforto, mas pode desencadear uma crise futura. A crise nos diz que algo precisa ser mudado. Logo, a crise é uma oportunidade. A crise é uma oportunidade de crescimento pessoal ou corporativo. Crescer é o objetivo comum entre os seres humanos e as situações conflitantes são as melhores e eficazes formas para se conseguir tal objetivo. Normalmente, vê-se a crise apenas como “sujeito” destruidor, tentando regredir emocional ou profissionalmente o ser humano. Contudo, pode-se tirar da crise grandes lições significativas e determinantes para o crescimento pós-crise. Considerando que a crise é uma oportunidade para rever conceitos, descobrir o que não está funcionando, avaliar decisões, reconhecer a fragilidade humana e a dependência divina, a crise torna-se uma grande oportunidade para o crescimento pessoal e corporativo que não deve ser desprezada. Logo, a crise é uma oportunidade.
A crise é uma oportunidade para depender mais de Deus. O maior benefício que a crise pode oferecer é a oportunidade para depender mais de Deus. O ser humano foi criado por e para 3
Deus, e a vida humana não tem sentido longe do Criador. Diante dos avanços científicos em que a inteligência humana se torna evidente, o ser humano é tentado a afastar-se de Deus confiando na força e capacidade humanas. Deus já não faz parte da vida de muitas pessoas e em crise, elas terão que rogar por Deus e reconhecerão que sem Ele não podem viver. Logo, a crise é uma grande oportunidade. Enfim, a crise pode deixar de ser uma tragédia quando vista numa perspectiva diferente. Deve-se olhar para a crise como uma oportunidade de aprendizado para a vida, vê-la como uma aliada e não como uma inimiga, pois mais trágico do que passar por uma crise é sair dela sem aprender nada, isto sim é tragédia.

Fonte: http://www.sprbc.com/artigos/Crise.pdf

domingo, 26 de julho de 2009

Momentos de Crise

MOMENTOS DE CRISE por EDÁZIMA AIDAR –Psicanalista

Muitas vezes ocorre que uma pessoa pode sentir um mal estar interno, algo que não sabe definir, já que está no inconsciente ou mesmo sendo consciente, tem dificuldade em aceitar. Momentos nos quais ela não se sente bem. Momentos em que, infelizmente, ela não se detém, porque pensar, avaliar, faz sofrer, dói e de dor ninguém gosta. O normal, portanto, é descalçar o sapato que aperta", "afastar o dedo da chama", "livrar a alma da dor". É comum a pessoa usar o mecanismo de negação toda vez que ela se depara com uma situação difícil, delicada, dolorosa, com um momento de crise. Uma das maneiras de se fugir da dor é procurar situações alegres e incompatíveis com a tristeza, a solidão e o remoer da mágoa. Ou então a vontade que impera é não pensar em nada, não ver ninguém e até evitar um confronto pessoal. De qualquer forma, cada pessoa é uma pessoa e cada um tem sua maneira preferida de fugir. Há os que se trancam em casa; os que saem todos os dias; os que se afundam no trabalho; os que preferem falar sem parar e os que só se encontram no silêncio. Por mais variados que sejam os mecanismos de fuga ou defesa, os objetivos são os mesmos evitar "Sentir", pensar, avaliar, enfim, evitar o mal-estar.

Porém, esses artifícios são inúteis, pois a pessoa não consegue se enganar por muito tempo. Por mais que ela se esconda atrás de disfarces, esses não anulam seu sofrimento. Este é apenas empurrado para baixo, para o fundo dela mesmo, onde há a ilusão de vê-lo desaparecer. Porém aquilo que não foi elaborado não desaparece, por mais bem escondido que esteja. Ninguém segue em frente com uma "ferida mal curada". Empurrado para as zonas mais sombrias da mente, proibido de atuar abertamente, o sofrimento continua agindo com possibilidade de acúmulo de tensões, explosões, angústias e até aparecimento de sintomas físicos. Manter o sofrimento num canto quieto, como um "domador que domina a fera com uma cadeira na mão", não é a melhor solução.

Em momentos de crises esse procedimento pode anestesiar a dor, mas impede a compreensão dela. Para compreendê-la se faz necessário um confronto que possibilita descobertas do inconsciente. Estas permitem à pessoa integrar seus aspectos contraditórios; se confrontar com seus desejos; olhar de frente para seus medos. Os momentos de angústia podem ser preciosos, na medida em que torne possível reavaliar a própria identidade, enxergar os próprios medos, acreditar no que se sente, se abrir para si mesmo e para o outro. Enfrentar a crise caminhando para o encontro consigo mesmo é uma maneira de promover o crescimento pessoal. Quando a pessoa faz da "dor" um momento de pausa e reflexão, pode criar uma estrutura mais forte para enfrentar a vida, sem que pareça estranha para si mesma nos seus momentos de crise.

domingo, 12 de julho de 2009

A Tomada de Atitude Exige Apenas Coragem? Não!

Tomada de Atitude Exige Apenas Coragem? Não!

Se a Tomada de Atitude exigisse apenas coragem, os medrosos jamais tomariam atitude. E isto não é verdade.

Então o que é preciso para Tomar Atitude?

O primeiro passo é você se perguntar?

-Eu estou feliz com a vida que estou levando?

A partir desta pergunta, dependendo é claro da resposta, você começa a se colocar no caminho da transformação.

Nós somos tão felizes quão felizes são os nossos relacionamentos e eu sou a única pessoa responsável pela minha felicidade.

Quando você não Toma Atitude, certamente os outros vão tomar por você. E aí, você fica refém do comportamento do outro.

Veja então, que muito mais do que coragem, o que nós precisamos na verdade é observar as nossas atitudes. Quando assim o fazemos, começamos a descobrir novos caminhos que, invariavelmente, nos darão a liberdade de escolha.

Tem uma frase de uma pensador austríaco que diz assim” A última das liberdades humanas está em poder escolher suas atitudes em qualquer circunstância”.

É preciso que olhemos para nós mesmos, uma vez que as nossas atitudes para com as outras pessoas é que vão determinar a atitude delas para conosco.

Quando você confie no que foi estudado no Amor-Exigente, no que foi aprendido, em você mesmo e em Deus, pode ter certeza de que você vai Tomar as Atitudes que precisa tomar para mudar a sua vida.

Tenha sempre em mente: quando você muda, as coisas mudam. Quando apenas os outros mudam, você apenas sofre as conseqüências.

Seja você o agente da sua felicidade. Não delegue a ninguém a decisão do que você vai fazer no presente e no que você vai ser no futuro.

São Francisco de Assis dizia a seguinte frase: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.

É importante que você saiba que as grandes transformações ocorrem de forma microscópica.

Mais do que coragem, Tomada de Atitude exige planejamento.

Agora, se você ficar pensando como o outro vai reagir com a sua Tomada de Atitude, talvez você não tome nenhuma atitude. E quando você não toma uma atitude, na verdade você já tomou uma atitude: a atitude de fazer nada para melhorar o que você está vivenciando.

Então, onde entra a coragem?

Ela entra quando olhamos para o modo como estamos vivendo e nos damos conta que não queremos mais repetir os antigos comportamentos, tomo a decisão de ser o agente da minha vida sem viver em função de qualquer outra pessoa.

E uma coisa eu não tenho dúvida: a espiritualidade é uma aliada importante para quem quer tomar atitude.

Foi um prazer poder compartilhar este texto com todos os amigos do Amor-Exigente.

Sérgio Carlos de Oliveira

sábado, 5 de julho de 2008

Tomada de Atitude: você fazendo a diferença!

Tomada de Atitude: você fazendo a diferença!


Engraçado, quando comparamos a nossa vida com a dos outros,
a impressão é que a dos outros é sempre mais feliz do que a nossa.


Falar do nosso 7º Princípio – Tomada de Atitude – requer um olhar e uma reflexão de como estamos levando a nossa vida, para que, a partir deste momento, possamos ter uma idéia do que realmente precisamos Tomar de Atitude.
Este inventário pessoal e intransferível é que pode fazer a diferença na qualidade de vida que cada um de nós busca como meta e filosofia de vida.
Ao fazermos este inventário, algumas perguntas precisam ser respondidas:

-Eu estou feliz com a vida que estou levando?
-As minhas relações estão me fazendo feliz?
-Até que ponto os outros influenciam na vida que estou levando?
-Quais os parâmetros que levo em consideração na minha Tomada de Atitude?

Claro que estas são as minhas sugestões de perguntas. Acredito que cada um que estiver lendo este texto, também tenha sugestões a acrescentar neste inventário.
E o que eu tenho percebido nesta caminhada nos grupos de auto-ajuda, e o que deve ser na maioria dos grupos, é grande dificuldade que as pessoas têm em tomar atitudes, uma vez que levam em consideração o que o outro poderá fazer ou não fazer com a atitude tomada.
Ora amigos de caminhada, o fato de eu não saber qual será a reação do outro pode fazer com que eu não tome atitude nenhuma.
Daí que o foco da Tomada de Atitude, jamais poderá ser a partir do outro e sim a partir de quem realmente precisa tomar a atitude: eu.
Neste sentido, o inventário pessoal é de fundamental importância e pode nos dar a direção e o foco do que realmente precisamos mudar.
O danado da Tomada de Atitude, e o que deixa muita gente boa com medo de fazer a mudança necessária, é o fato de que a Tomada de Atitude está relacionada com dor e sofrimento.
Também, normalmente são os outros que tomam as atitudes e nós sofremos as conseqüências desta tomada de atitude. E quando convivemos com comportamentos inadequados e/ou com drogas, as atitudes tomadas por estas pessoas sempre nos levam ao sofrimento. Uma vez que elas sempre buscam vantagens nos pegando de surpresa. Aliás, esta é a tática que nos deixa sem ação. Quando alguém exige de nós uma resposta frente a uma situação que, invariavelmente, precisaria de um momento de análise antes da definição.
Veja bem, quem toma atitude administra a situação. Quem não toma atitude, sofre as conseqüências da tomada de atitude.
Vamos reverter esta situação?
Vamos deixar de ser meros agentes passivos da tomada de atitudes dos outros?
Vamos administrar a nossa vida dentro de parâmetros que nos tragam alegria de viver?
Se você respondeu sim aos questionamentos, o Amor-Exigente pode fazer a diferença na sua vida.
A força que precisamos para reverter um quadro que não nos é favorável vamos encontrar nos grupos de auto-ajuda do Amor-Exigente.
Tomar atitude não é fácil? Claro que não é. Passamos tanto tempo sofrendo as conseqüências das tomadas de atitudes dos outros, que passamos a achar que esta situação é normal na vida de todas as pessoas.
Vamos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Afinal, estamos aqui neste mundo de Deus em busca da felicidade e não do sofrimento.
Eu sou o agente da minha felicidade.
E quando eu tomo as rédeas da minha vida, eu começo a fazer diferença.
Tomada de Atitude é fazer a diferença. Fazer a diferença é Tomar Atitude.
Faça você também a diferença: tome atitude.

Estou voltando depois de um semestre de muito trabalho. Já estava com saudades de todos amigos de caminhada do Amor-Exigente.

Sérgio Carlos de Oliveira - Serginho
Coordenador do AE em SC






segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Deus quis ser gente e tem gente querendo ser Deus.


O que eu sou não me completa ou que os outros querem que eu seja é demais para mim e eu deixo de ser gente?

O mês de fevereiro no Amor-Exigente reserva-nos, assim é claro como todos os outros princípios, um grande questionamento: por que é tão complicado ser gente?
E o título na verdade é uma provocação para que tenhamos o tempo da reflexão e olharmos a vida a partir de nós mesmos e não a partir do outro, tentando ser o que não somos ou ser apenas para querer agradar alguém.
Deus, na sua imensa sabedoria, envia o seu filho como humano e, portanto gente, para que Ele viesse ao mundo para salvar a todos nós.
Agora, Ele veio como gente e não como um Deus. E todas as vezes que alguém o buscava para salvação Ele dizia claramente: Foi a tua fé que te salvou.
E mesmo em alguns momentos quando provocado para agir como um Deus, Ele agiu como gente. Tanto que chorou ao saber da morte do amigo Lázaro.
E quando Ele poderia ter agido como um Deus e salvar-se do martírio fez ao contrário e sentiu todas as dores e morreu de uma forma muito mais dolorida.
Todos esperavam que Jesus naquele momento produzisse algo estrondoso, onde anjos viessem salvá-lo, raios e trovões cairiam para provocar um espetáculo inesquecível onde todos os seus algozes morressem. E o que aconteceu?
Quantas pessoas deixaram de crer que aquele que estava morrendo na cruz, na verdade não era um Deus e sim um simples mortal, simplesmente porque não viram grandes estardalhaços.
Por vezes fico pensando se Jesus tivesse produzido este show pirotécnico mudaria o curso da história ou não.
Ele decepcionou muita gente não fazendo este show, claro que sim. As pessoas esperavam que Ele fizesse mais do que apenas ser crucificado.
E ai eu fico pensando nesta passagem de Cristo entre nós e o nosso segundo princípio Pais Também São Gente.
Mesmo que alguns possam considerar que eu esteja ficando doido ao tentar fazer alguma relação do Cristo com o nosso princípio, gostaria que lessem em qualquer um dos apóstolos que escreveram sobre a vida de Cristo e notassem o quanto de humano/gente – Cristo foi em várias passagens narradas por estes apóstolos.
Sendo um Deus ele se fez humano/gente e nós pais muitas vezes queremos ser um Deus considerando que ser gente seja algo impossível para o atendimento das “necessidades” dos nossos filhos.
E além dos nossos filhos temos também a sociedade que nos cobra perfeições e isto faz com que tenhamos que esconder os nossos sentimentos.
E normalmente o que somos ou o que deixamos de ser, invariavelmente, é tendo os outros como parâmetros para a definição das nossas atitudes.
Querendo ser mais do que gente vamos tentando buscar uma perfeição que nos torna doentes e afastamo-nos da nossa essência. O ser gente é o caminho da sanidade. Demência é quando queremos atingir algo que ultrapassa a realidade do ser gente.
É importante que tenhamos em mente que é a diversidade de comportamentos é a forma ideal de uma sociedade subsistir, sem que nos tornemos robôs.
No entanto, o que buscamos é um “panteão de deuses”, onde todos tem poderes extraordinários e o sofrer, seja por qualquer coisa, não existe. Ninguém sente dor e por isso ninguém tem sentimento. Até porque, sentimento e emoção é coisa de “humano”, coisa de gente.
Daí a dificuldade de ser gente. Gente tem emoção e sentimentos. E quem tem estas “coisas”, fatalmente chora, sente dor, saudade, sorri, ama; e estes sentimentos parecem que são motivos de vergonha ou atestam que somos gente e não deuses ou super-homens ou super mulheres.
Tem uma passagem na Bíblia onde São Paulo diz assim: Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (2 Coríntios 12:10); é a realidade do que eu sou verdadeiramente que pode me tornar forte. Vivendo a minha realidade, sem máscaras, sabendo dos meus limites, vivendo o meu eu verdadeiro aproximo-me do meu humano e de ser gente. Pois é justamente isto que pode me tornar forte. Vivendo o que eu não sou, eu vivo uma mentira e passo a ser o que os outros querem que eu seja e ai me torno fraco.
Talvez para muitas pessoas ser gente não tem graça. Que coisa mais chata isto de sentir saudade, medo, frio, chorar, angústia e dor. O bom, talvez, fosse não sentir nada disto. E ai, o que seriamos? Ou melhor, o que somos hoje?
E ai, como muita gente diz, nos grupos de Amor-Exigente as pessoas podem ser o que elas são, sem máscaras, com os seus medos, suas fraquezas, suas angustias, suas tristezas, suas derrotas, sua vitórias, alegrias, ou seja; ser gente.
Quantas pessoas que chegam pela primeira vez não conseguem falar e apenas choram? Ai você percebe que eles tentaram com todas as suas forças ser alguém acima do que elas poderiam ser. E você percebe isto nas lágrimas sinceras, no choro verdadeiro; ou quando dizem: “estou cansada(o), não quero mais viver.
E é justamente por isto que no mês de fevereiro eu vou as reuniões com a camiseta do super-homem.
Para mostrar para as pessoas o quanto é chato ser um super-homem. Você deixa de ser você mesmo, vive fugindo para ser o que você não é, não pode demonstrar sentimentos, não pode apaixonar-se, amar, enfim, que coisa mais chata.
Para encerrar nada melhor do que esta frase: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32).
Para ser livre é preciso ser verdadeiro. A mentira o aprisiona. Portanto, seja você mesmo e não uma mentira.


Sergio Carlos de Oliveira – Serginho
Coordenador do Amor-Exigente em SC

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Raízes Culturais!

Raízes Culturais!

Eu sou o que sou; eu sou o que os outros querem que eu seja,
eu sou o passado, o presente e o futuro. Afinal, quem sou eu?


Mesmo voltando de férias, eu não poderia deixar de escrever algo sobre este maravilhoso princípio. Até porque, algumas coisas aconteceram nestas férias e que tem muito de Raízes Culturais.
Ao passar o Natal e o Ano Novo em Tramandaí, cidade onde nasci no RS, juntamente com a minha família, foi um momento extremamente enriquecedor para mim e para o meu filho de 15 anos.
Depois de algum tempo sem passar as festas de final de ano com a minha Mãe, irmãos, tios e tias, sobrinhos, primas e primos, este voltar foi muito bom para que eu analisasse verdadeiramente as minhas Raízes Culturais e mostrasse ao meu filho que ele é um continuar das Raízes que começaram num passado não muito distante.
E ao falarmos sobre Raízes Culturais, invariavelmente, estamos falando sobre identidade e autenticidade. Ora, nós somos o continuar da vida dos nossos pais. A vida do meu Pai, que não está mais presente, continua em mim e nos meus irmãos e vai continuar no meu filho.
E ai é preciso que tenhamos em mente quais são os valores que hoje nós estamos vivendo que vieram dos nossos pais e quais aqueles que absorvemos da sociedade que vivemos. Se no somatório destes valores você perceber que está vivendo muito mais os valores que absorveu da sociedade do que aqueles passados pelos pais, algo está errado.
Quando este “desequilíbrio” - e desculpe o termo – estiver acontecendo é porque julgamos que tudo aquilo que aprendemos com os nossos pais estão errados.
Por isso que Raízes Culturais pergunta: Quem é você?
Esta pergunta é de fundamental importância para que possamos perceber que vida estamos vivendo e que valores estamos colocando em nossas vidas.
E ao fazer esta pergunta, vamos perceber de onde estamos tirando o substrato cultural para nutrir a nossa vida e a vida da nossa família.
Percebam, a partir daí, a importância que temos enquanto pais sobre o futuro da sociedade. Que valores os nossos filhos levarão para as suas vidas. Eles serão autênticos ou apenas uma reprodução do que a sociedade estiver defendendo.
E como eu gosto muito de exemplos eu vou falar sobre dois momentos que aconteceram nestas férias.
Uma era uma reportagem sobre os índios que vivem as margens da BR-101 e precisam sair para que a BR seja duplicada. E numa conversa com alguns amigos, perguntei sobre o que eles achavam sobre o assunto. A maioria argumentou que eles deveriam sair mesmo e que estavam atrasando a obra.
Percebam que as Raízes Culturais dos índios em nenhum momento foi ressaltado. Que os antepassados dos índios que estavam enterrados naquelas terras, não tinham nenhuma importância.
Percebam que quando os índios brigam para ficar nestas terras, na verdade estão brigando por suas Raízes e por sua identidade.
E ai e sou obrigado a fazer uma pergunta: Estamos brigando pelos valores passados pelos nossos pais?
E outro momento foi assistindo o filme A Testemunha com Harrison Ford, onde ele vai viver com Amish, que é um grupo religioso cristão anabatista baseado nos Estados Unidos e Canadá. São conhecidos por seus costumes conservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive telefones e automóveis e preferem viver afastados do restante da sociedade.
A pergunta é: Será que precisamos viver afastados de tudo e de todos para que possamos preservar os nossos valores?
Para viver Raizes Culturais é preciso ter a coragem de ser autentico e possuir uma identidade com os valores que sustentam e dão alicerce a nossa familia.
E para dar mais alguns exemplos, e isto pode ser usado para as palestras sobre este princípio, é quando olhamos alguns documentos que fazem parte da nossa vida.
Na carteira de identidade, motorista e carteira de trabalho, se olharmos bem, lá está o nomes dos nossos pais. Parece que ali estão para que não esqueçamos que os valores que eles nos ensinaram é para ser usado em todos os momentos de nossa vida.
Se verdadeiramente fosse colocado em pratica estes valores, certamente teriamos um trânsito onde as pessoas respeitariam mais as outras; no trabalho, ninguém passaria por cima de um colega buscando projeção; no comércio, devolveriamos o troco dado a mais e solicitariamos sempre a nota fical.
Taí uma dica para fazer abertura das reuniões no mês de Janeiro.
E não esqueça de vez em quando pegar as fotos que fizeram parte da tua familia, pais, irmãos, tios e primos, e veja o que você está vivendo dos valores que foram passados para você.
E não esqueça de perguntares a você mesmo: Quem sou eu?

Um excelente começo de ano para todos nós. Que possamos viver os verdadeiros valores e contribuir para que os nossos filhos tenham uma sociedade melhor de ser vivida.


Sérgio Carlos de Oliveira

domingo, 9 de dezembro de 2007

A Exigência no Amor!

A Exigência no Amor!


“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Dezembro nos grupos de Amor-Exigente é um momento especial e a emoção, invariavelmente, nos toca facilmente.
Para os coordenadores de grupos, ao olharem aqueles que passaram pelos 11 princípios e agora ali estão com um olhar diferente, um brilho e uma postura que nos deixa encantados.
Você os conhece, você os acompanhou nesta trajetória e percebeu o quanto lutaram para chegar até este mês com muita dignidade e esperança.
Dezembro é especial mesmo.
Porém, o amor precisa ser refletido em toda a sua abrangência e este mês proporciona esta reflexão.
Amar é fácil?
Se eu partir da idéia do que coloquei no início do texto “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e notem que eu não coloquei o autor que escreveu este mandamento. E não fiz por considerar que ele, muito mais do que estar ligado a uma religião, é uma fórmula mágica.
Notem que este mandamento tem uma proximidade muito grande com o Amor-Exigente. O princípio de cada mês sempre começa em mim e depois no outro.
Ora, se eu não me amo como posso amar o outro?
Quem ama não exige do outro, exige de si mesmo. Exigir do outro é como considerar que o amor seja uma obrigação e não uma doação.
Por isso que eu não posso exigir que o meu filho me ame. Posso exigir sim que ele me respeite.
Agora, devemos amar ao outro tanto quanto nos amamos, nem mais nem menos. Pois, se você amar o outro menos do que você ama a si mesmo, você estará sendo egoísta. Você é uma pessoa que só pensa em si mesmo. Este amor não dará certo. Agora, se você o outro mais do que você ama a si próprio, você estará se colocando em segundo plano. Você vai se sentir inferior e cobrará dos outros um amor a mais do que você deveria sentir por si mesmo.
Por isso que a Marina Canal e o Helio Caetano colocam no livro Amor-Exigente Espiritualidade Uma Nova Vida, que o amor começa a ser construído no amor-próprio e que é aprendendo a amar a si próprio que as pessoas aprendem a amar o outro.
A falta de amor-próprio faz com que a pessoa acabe tornando-se permissiva, insegura, infeliz, inferior, medrosa e caba fazendo o que os outros querem que ela faça. E, pode ter certeza, esta pessoa será candidata a codependência.
E a codependência de quem não ama a si próprio, acontece quando esta pessoa esta empenhada desesperadamente em satisfazer os desejos do outro como forma de garantir um sentimento, que poderá ser amor ou afeição, que esta pessoa pode sentir por ela.
A pessoa que não ama a si próprio não reconhece em si qualidades e talentos e se acha inferior às outras pessoas.
O amor é o alimento da alma assim como a comida é para o corpo. Sem comida o corpo enfraquece e sem amor a alma também enfraquece.
A pessoa que ama e respeita si mesmo, também vai respeitar os outros. Pois ela sabe o quanto é fundamental para ela amar e respeitar a si mesmo e o quanto tal atitude exige de esforço e constância de objetivo.
Um outro aspecto do amor é que eu preciso me considerar digno de amar e de ser amado. Por mais que tenhamos passado por dificuldades em nome do amor, eu não posso perder a referência positiva do que seja amar e ser amado.
Normalmente relacionamos amor com dor, com perda de identidade e vamos assumindo o pensamento que o melhor é não amar. Assim, eu não me exponho e não sofro.
A pessoa que ama a si mesmo com equilíbrio e dignidade, desfruta tanto do amor e se torna tão feliz consigo mesmo, que o seu amor começa a contagiar os outros. E este viver feliz em virtude do amar-se, começa a ser compartilhado e os outros vão gostar de estar com você.
Perceba porque as pessoas gostavam de ficar perto de Jesus, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, Chico Xavier e tantos outros que transbordavam de amor.
Não esqueça, o amor é uma opção espontânea e livre. Amar a si mesmo é um requisito para vivenciar a felicidade.
E o nosso trabalho no Amor-Exigente, enquanto coordenadores de grupos e ser um bom ouvinte. E um bom ouvinte oferece a dádiva da empatia que assegura ao outro que ele não está só. E esta dádiva de sair de si e de alguma forma permanecer com o outro é uma dádiva muito preciosa.
E esta dádiva eu chamo de Amor.
Jamais esmoreçam neste trabalho magnífico que todos vocês estão fazendo.
Quando pintar aquele sentimento de cansaço e desânimo, peça ao nosso Deus a força necessária para continuar seguindo em frente trilhando este caminho de luz e de bênção.
Deus em sua imensa sabedoria e bondade dá a cada um de nós a oportunidade para que possamos expressar o nosso Amor aos nossos semelhantes de várias formas. E eu não tenho a menor dúvida de que todos os que hoje doam o seu tempo nas reuniões de Amor-Exigente, estão expressando o seu Amor através da dedicação ao próximo.
E eu particularmente, me sinto um felizardo e agradeço todos os dias a Deus por ter colocado pessoas maravilhosas para ajudar o Amor-Exigente a ajudar a quem precisa.
Este Natal vai ser o Natal de nossas vidas e o melhor Natal de muitas pessoas que freqüentaram e que ainda freqüentam as nossas reuniões.
Quando estivermos comemorando o Natal com os nossos familiares, vamos pensar em cada um que participa de nossas reuniões como se fossem nossos familiares. Afinal, somos todos irmãos em Cristo.
É uma dádiva ser Coordenador do Amor-Exigente em Santa Catarina tendo vocês como companheiros e irmãos de caminhada.

Um Feliz Natal e um Ano Novo de grandes realizações a todos.


Sérgio Carlos de Oliveira
Coordenador do Programa do Amor-Exigente em Santa Catarina